Desculpem insistir: Triste país o meu! Melhor,
meu País, que triste querem de ti fazer os “poderosos”!
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| doBlog perspectivas com a legenda "Miguel Relvas Ministro dos Assuntos Maçónicos" |
É gravíssimo, obviamente, um cidadão qualquer que ele seja, ser
publicamente acusado de violação grosseira da nossa Lei Fundamental, da
Constituição da República.
É ainda mais grave quando essa acusação pública (e
fortemente estridente) recai sobre um cidadão que desempenha um elevado cargo
na estrutura do Estado Democrático e de Direito que essa Constituição consagra,
um cidadão que é ministro do Governo da República.
E mais grave ainda, se tal é possível, quando se trata do
segundo mais importante membro do governo da República, Ministro de Estado
pomposamente apelidado.
A ameaça de retaliação relativamente a um órgão de
comunicação social – promovendo o “blackout” informativo por parte de todos os ministros do
governo – no caso desse órgão de comunicação social publicar matéria “indesejável” para esse ministro, é desde
logo absolutamente ilegal e por isso inadmissível no quadro do regime
democrático que é o nosso.
Mas aprofundar aquela ameaça com outra ameaça
– a de
divulgar publicamente aspectos da vida privada de uma jornalista (seria o mesmo
se se tratasse de outro qualquer cidadão, exercendo outra qualquer profissão)
se mesmo perante a primeira pressão o órgão de comunicação social avançasse
para a publicação da matéria noticiosa em causa – é inqualificável, é
carroceiro, para utilizar o termo que o Povo utilizaria.
Para além de incompatível com o regime democrático que é o
nosso (como a pressão exercida sobre o órgão de comunicação social em causa), esta ameaça supera largamente a questão da
simples legalidade e democraticidade: é incompatível com o estado de civilização que,
apesar do governo e dos ministros que temos, conseguimos já alcançar!
Uma ameaça deste calibre é própria de alguém que rejeita a
civilidade, que vive, actua, intervém na vida quotidiana num registo que não é
próprio da sociedade moderna e avançada que todos queremos construir, pelo
contrário, mina dramaticamente a qualidade dessa sociedade civilizada e
avançada que pretendemos ser.
Por muito menos, muito menos mesmo, do que atitudes como a
que todos os órgãos de comunicação social têm dado à estampa nestes dois
últimos dias, demitem-se ou são demitidos ministros (e outros titulares de
cargos públicos, é evidente) em muitos países. São, eventualmente, os ditos “países
civilizados"… E que pena sinto hoje que o meu país não alinhe a seu lado, ao
lado destes países civilizados!
Importa ainda relembrar uma outra intervenção no mesmo
estilo, do mesmo ministro, no mesmo dia: de forma absolutamente gratuita, este
ministro insultou – sem ruborescer sequer – muitos milhares de concidadãos seus,
que são todos os autarcas deste país (podem confirmar aqui).
Considerou os autarcas "esquizofrénicos"! Pelo
facto, simples, de em uníssono esses autarcas, mulheres e homens que fizeram e
fazem pelo seu País muitíssimo mais num dia do que o ministro será capaz de fazer
durante toda a sua vida, não concordarem com o ministro, com as suas propostas e
com a sua política – que pretende impor como se de um ditadorzeco de esquina se
tratasse – que visa tão-somente a destruição total de uma das mais importantes
e belas conquistas da Revolução de Abril, o Poder Local Democrático!
Sobre o primeiro caso, parece que o ministro continua a
negar o que é evidente, mas parece também que já pediu desculpas ao jornal em
causa. Pergunto eu: se continua a negar, porque é que pediu desculpa? Há aqui
qualquer coisa que não bate certo.
Sobre o insulto aos autarcas, ainda não disse uma palavra.
Estranho e doloroso é que sobre tudo isto, sobre todo este
comportamento absolutamente inaceitável do principal ministro do seu governo, o
primeiro-ministro se mantenha em silêncio absoluto.
Por isso, desculpem lá ter que insistir, mas a indignação não deixa calar o que sinto:
Triste país o meu! Melhor, meu País, que triste querem de
ti fazer os “poderosos”!
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